Nós viemos para o Canadá em 2009. Apesar de todas as dificuldades, ambos conseguimos nos estabelecer profissionalmente e começar nossa família no Canadá.

Hoje, o Canadá é a nossa casa, a única que nossos filhos conhecem. E nós não nos arrependemos de nada!
Mesmo antes de nos conhecermos, eu (Marcello) já pensava em fazer residência nos EUA, e até em morar lá e ser cirurgião do trauma. Mas não foi nada disso que aconteceu...

Do Brasil pro Canadá

Depois da faculdade eu entrei na residência de cirurgia. Durante esse tempo, eu conheci um cirurgião formado em minha universidade que então era professor em Toronto. Conversando com ele, fiquei sabendo da possibilidade de vir para o Canadá como international fellow.

Fellowship internacional

Fellows internacionais trabalham normalmente como médicos residentes.
Mas o que é um international fellowship e o que faz um fellow? Fellows internacionais fazem as mesmas coisas que médicos residentes do mesmo nível fazem. Isso, é claro, inclui cuidar de pacientes. Mas existe uma diferença muito importante: o fellow internacional não conta para certificação pelo Royal College of Physicians and Surgeons of Canada.
Isso significa que o tempo que você passou no fellowship internacional, apesar de contar no currículo e em networking, não conta para poder fazer a prova de certificação, a não ser em algumas circunstâncias específicas, que não eram as minhas.
A experiência no fellowship foi intensa. Era sempre muito trabalho e muitos plantões. Nada por que alguém que fez residência no Brasil não tenha passado, mas ainda sim intensa.
Apesar disso, vida como fellow foi boa. O salário era bom (em torno de CDN$80,000) e nós morávamos num bom lugar da cidade e tínhamos comprado um carro! Um pouco antes de completarmos um ano, decidimos tentar ficar por aqui.
Essa decisão nos pareceu natural. Nos sentíamos em casa em Toronto. E as perspectivas profissionais eram melhores aqui que no Brasil. Além disso, a idéia de começar uma família aqui era bem mais atraente que no Brasil.
Kozue então começou a estudar para a prova canadense de certificação em enfermagem, que era a mesma que enfermeiros canadenses tinham que completar naquela época, e eu comecei o processo para residência permanente e a traçar os planos para conseguir praticar com médico aqui.

A Residência Permanente e estudando para provas

Estudando para as provas. Mudar para o Canadá exige sacrifícios.
Se você é médico ou enfermeiro e fala inglês bem, conseguir o número de pontos para aplicar para residência permanente não vai ser muito difícil. O processo, claro, é complexo, com mil documentos para traduzir e anexar.
Demorou um pouco mais de um ano para conseguirmos resolver tudo e fazer o nosso landing, que é quando você entra no Canadá pelo primeira vez como Permanent Resident (PR).
Apesar de não ter demorado muito, o processo demorou o suficiente para não sermos residentes permanentes quando eu tinha que submeter os documentos para Residência Médica. Ou seja: eu não pude fazer a inscrição aqui no Canadá naquela hora, ia ter que esperar mais um ano.
Apesar de já ter as provas canadenses que precisava, as quais tinha feito durante o fellowship, aqui, você TEM que ser residente permanente para fazer residência médica.
Nesse mesmo tempo, Kozue também já estava completando o processo de certificação de enfermagem. Tinha passado na prova (ufa!) e ia começar a procurar emprego, mesmo ainda não sendo residente permanente. Ela tinha um visto de trabalho aberto por ter vindo comigo, que tinha um visto de trabalho como médico.

R1 de novo e primeiro emprego!

Eu sei que muita gente não quer ouvir isso. Afinal, quem quer voltar para o R1? Mas estava claro para mim que seu quisesse certificação independente no Canadá, eu precisava voltar para o primeiro ano de residência.
Isso não é verdade para todo mundo. Mas queria o caminho mais certo, onde não dependeria de alguém me convidar para nada. Sabia que depois da residência, teria uma licença médica.
Mas tem mais um problema: como eu disse, eu ainda não era residente permanente! Mas eu tinha uma outra opção: enquanto eu fazia medicina no Brasil eu tinha completado as provas americanas, e naquela hora já tinha certificação do ECFMG, necessária para residência nos EUA.
Então foi o que eu fiz. Eu me inscrevi para o Match, o sistema de seleção de residentes dos EUA. Sabia que outro ano de fellowship não acrescentaria muito, e sabia que precisava de residência na América do Norte (EUA ou Canadá) se quisesse mesmo ficar por aqui.
Um pouco depois que eu consegui minha vaga de residência médica em Clínica Geral nos EUA, minha esposa conseguiu o primeiro emprego no Canadá! As coisas estavam caminhando na direção certa.
Com um problema: isso queria dizer que eu esta indo para o Michigan, enquanto minha esposa ia ficar em Toronto. E foi o que aconteceu.

Separados por um ano

Viajar na neve pode ser difícil.
A separação não foi fácil. Eu estava em uma cidade pequena do Michigan e minha mulher em Toronto. Pelo menos dava para chegar de carro em 4 horas e meia, o que ela fez muito no primeiro ano e eu no terceiro.
No primeiro e terceiro anos eu via ele quase que exclusivamente nos finais de semana! Também quer dizer que minha esposa estava sozinha durante a maioria da gravidez. Nada que é valioso é fácil.
O segundo ano foi um pouco melhor, já que nosso primeiro filho nasceu no final do primeiro. Minha esposa pode então ficar um ano de licença maternidade comigo em Michigan.

De volta a Toronto

No final da residência de Clínica eu resolvi tentar uma vaga de residência em UTI no Canadá. Médicos com residência nos EUA competem pelas mesmas vagas e são tratados como médicos com residência no Canadá. Isso foi de uma ajuda tremenda.
Eu estava pensando que nunca ia conseguir nada. Mas minha esposa, com razão, disse que se eu não tentasse isso com certeza seria o que ia acontecer. Apesar do meu pessimismo, consegui vaga na minha primeira opção e voltei para Toronto para mais 2 anos de treinamento em UTI.
É isso aí! Se vocês estão contando foram 2+3+2 = 7 anos de treinamento no Canadá depois de 2 anos no Brasil.

Final feliz

Hoje nós moramos em Toronto e temos nossas licenças independentes na profissão que escolhemos e trabalhos que gostamos e nos recompensam bem. Mudar para o Canadá foi a decisão certa!
Nenhum lugar do mundo é perfeito, mas não nos arrependemos da nossa decisão!
Sucesso!
Eu sei, você deve estar pensando quanto tempo eu fiz de residência médica. Vou te ajudar: 9 anos.
Nove anos depois de acabar a faculdade.
Muito?
Talvez. Mas cada ano valeu para conseguir chegar onde estamos, ganhar conhecimento e experiência. Faríamos tudo de novo.
Tudo de novo com uma diferença. Teríamos um plano mais detalhado desde o começo. É por isso que começamos DO BRASIL PRO CANADÁ: para ajudar você com o seu plano! Acreditamos que temos a experiência e o conhecimento necessário para isso.
Se você pensa em vir para o Canadá, visite o nosso site. Lá você vai achar informações valiosas para decidir se o Canadá é para você ou não. Nós também temos um canal de YouTube, que por enquanto tem informações para médicos, mas nós vamos ampliar para enfermagem e outras profissões de saúde.
Caso decida que você também que vir para o Canadá e praticar a profissão que escolher, nós oferecemos um curso em vídeo, consulta e um programa de coaching para médicos. Também temos um consultas para enfermagem, e em breve teremos o curso em vídeo para enfermagem também!
Se você quiser saber mais, visite os links acima ou mande-nos uma mensagem no Messenger.